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Um cantor russo supostamente preso como parte da repressão anti-gay da Chechênia foi assassinado pouco depois de ser detido, disse uma fonte ao NewNowNext.
Zelimkhan Bakaev foi visto pela última vez em 8 de agosto em Grozny, onde ele saiu de Moscou para o casamento de sua irmã. Sua família diz que eles não ouviram falar dele e não conseguiram obter respostas sobre seu destino.
Before being kidnapped, Zelim Bakaev had regular panic attacks on trips visiting family in Russia’s Chechnyahttps://t.co/orqf0HMxwz pic.twitter.com/5RIA4geFMR
— Maxim Eristavi (@MaximEristavi) 19 de agosto de 2017
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Em uma coletiva de imprensa na segunda-feira, o fundador russo da Rede LGBT, Igor Kochetkov, citou o mistério do desaparecimento de Bakayev publicamente pela primeira vez.
“Recebemos a confirmação de nossa anterior presunção de que Bakayev foi detido pelas autoridades chechenas devido a suspeita de homossexualidade”, disse ele.
Uma fonte próxima a ativistas da região disse que Bakaev, 26, foi torturado até a morte. “Ele chegou a Grozny e foi pego pela polícia dentro de três horas”, alegaram. “Dentro de dez horas ele foi assassinado”.
As autoridades negaram saber sobre o paradeiro de Bakayev, sugerindo que ele simplesmente deixou o país.
No mês passado, um vídeo do YouTube de um homem parecido com Bakayev foi apanhado por meios controlados pelo governo na Chechênia. Nela, o homem afirmou ser o cantor e disse que estava na Alemanha.
“Não há absolutamente nada a fazer em Grozny ou Moscou. Porque há muitos idiotas “, afirma o homem. “Aqui as pessoas são absolutamente diferentes – você sai, todos sorriem para você. Perspectiva absolutamente diferente “.
Os ativistas dizem que é uma fraude, porém, ressaltaram que uma bebida energética russa e móveis vistos no vídeo não estão disponíveis na Alemanha.
A televisão russa informou que Bakaev escreveu a sua mãe e sua tia no WhatsApp em setembro que ele estava vivo e bem e morava no exterior, antes de desligar o telefone.

Em uma tarde em fevereiro de 2016, o corpo da trans conhecida somente como Michele foi encontrado em um terreno abandonado no Jardim Ângela, bairro na zona Sul de São Paulo. Ela era funcionária de uma ONG para tratamento de dependentes químicos e morava com um companheiro há cerca de dez anos, conta o Ministério Público.
A perícia revelou que Michele foi estrangulada e morta a facadas. O MP denunciou o próprio companheiro dela como o suspeito do crime. É a primeira denúncia de feminicídio contra transgêneros registrada em São Paulo. A lei funciona como um agravante para homicídios dolosos (quando há intenção para matar) e torna um homicídio simples, cometido por ódio contra mulheres, em crime hediondo. Os promotores do caso afirmam que a ação pode ser o primeiro passo para se estender o entendimento a novos casos.
O promotor do caso, Flávio Lorza, relata que Michele viveu e foi tratada como mulher desde a adolescência. Era cozinheira na ONG onde trabalhava em São Paulo e tinha a própria casa. O companheiro, mais tarde, se mudou para lá e a relação do casal passou a ter um histórico de agressividade, diz o promotor.
Segundo a lei de 2015, um homicídio doloso pode ser enquadrado como feminicídio caso tenha sido cometido como consequência de violência doméstica, familiar, preconceito ou desprezo contra mulheres. Enquanto uma pena por homicídio simples varia de 6 a 20 anos, o agravante feminicida vai de 12 a 30 anos de reclusão.
Para Flávio, mesmo que a vítima seja transexual, a morte pode ser enquadrada na lei. “Nós analisamos toda a situação de violência, falamos com quem a conhecia e a reconhecemos, mesmo em um momento tão duro que, socialmente, sua vida era do gênero feminino”, diz. E acrescenta: “a questão de gênero faz parte de um momento de reconhecermos que a pessoa não está condicionada ao sexo biológico. Com isso, ajudamos a incluir na sociedade uma grande quantidade de pessoas que vivem nesta situação”.
Uma das críticas de grupos que lutam por direitos LGBT é que o texto da lei do feminícidio não especificou uma legislação para crimes de ódio contra pessoas trans.
A promotora Valéria Scarance, líder do laboratório de discussão de gênero e violência doméstica do MP paulista, diz que há uma capacitação nacional do órgão para que a lei supra a lacuna. Estamos desenvolvendo a lei do feminicídio para ampliar o conceito de mulher e fazer a compreensão jurídica ser diferente da compreensão biológica, abrangendo assim trans e travestis”, explica.
Grupos e pesquisas internacionais colocam o Brasil como um dos países que mais mata pessoas transexuais e travestis no mundo. Um monitoramento do Grupo Gay da Bahia (GGB) mostrou que 347 trans e travestis foram assassinadas somente em 2016 no Brasil.
De acordo com o boletim de ocorrência, uma testemunha relatou que Michele estava desaparecida há uma semana quando seu corpo, já em decomposição, foi encontrado por policiais militares.
Além de feminicídio, o ex-companheiro de Michele responde por ocultação de cadáver, o que pode estender a pena por mais três anos. A defensoria pública, que realiza a defesa do réu, não se pronuncia sobre casos em julgamento. O julgamento aguarda a manifestação da defesa.
Fonte: Uol